O gênero cartas entre escritores
O gênero cartas entre escritores Simone S. Goh Durante praticamente cinco anos estudei as cartas que Monteiro Lobato enviou ao também escritor Godofredo Rangel editadas na obra A Barca de Gleyre (Monteiro Lobato, 1948), mas sinceramente algo que me intrigou foi a classificação desses escritos: literários ou não? Os estudiosos que me acompanharam afirmavam que uma vez carta, textos não literários. Não há recriação uns diziam, mas afirmo que há; não recriação de tempo, espaço, mas recriação da língua, a língua das cartas entre escritores ocupa o lugar do espaço imaginário de linha atemporal, algumas construções e escolhas lexicais são personagens que entram e saem das cartas brincando de conversar. Agora ando fazendo assim. Vou principiar lhe escrevendo esta carta nesta “hora vaga” de domingo de carnaval, que até meus domingos e meus impossíveis carnavais, agora, têm as horas “de obrigação” e as frestas delas, a que se dá o nome de “horas vagas”. Hoje fiz um mundo de não-coisas , mas...